Romeu Zema sugere auditoria e condicionamento ao emprego para beneficiários
No domingo, 3, o ex‑governador de Minas Gerais, Romeu Zema, participou do programa Canal Livre, da Band, e apresentou uma proposta que pode mudar o panorama do principal programa de transferência de renda do país.
Segundo o político, caso seja eleito presidente, ele pretende suspender temporariamente o Bolsa Família enquanto realiza uma auditoria aprofundada para detectar possíveis fraudes. Zema argumenta que muitos adultos incluídos no programa deveriam estar inseridos no mercado de trabalho, e critica a permanência de beneficiários que, em sua visão, vivem exclusivamente da assistência estatal.
Ele descreve esses casos como “marmanjões” e afirma que não deseja destinar recursos a quem, segundo ele, prefere passar o tempo em redes sociais e plataformas de streaming, realizando apenas trabalhos informais esporádicos para complementar a renda.
A proposta inclui a oferta de vagas de emprego aos beneficiários. O plano prevê que o cidadão possa recusar uma única oportunidade sem que o auxílio seja interrompido, e que a continuidade do benefício esteja condicionada à aceitação de novas ofertas.
Zema também destaca que a informalidade, muitas vezes mantida de forma deliberada, impede a especialização da mão de obra nacional e desestimula a busca por qualificação profissional.
Atualmente, o Bolsa Família garante um pagamento mínimo de R$ 600 por núcleo familiar, com renda per capita limitada a R$ 218. O acesso depende da inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) e do cumprimento de condicionalidades de saúde e educação, como vacinação e frequência escolar.
Além do valor básico, o programa oferece benefícios complementares: o Benefício Primeira Infância adiciona R$ 150 por criança de até seis anos, enquanto o Benefício Variável Familiar acrescenta R$ 50 por gestante, mãe lactante ou jovem entre sete e dezessete anos.
Existe ainda a “Regra de Proteção”, que permite que famílias que consigam emprego e aumentem a renda per capita para até meio salário mínimo recebam metade do auxílio por até dois anos.
O debate sobre a possível suspensão e a reestruturação do Bolsa Família ganha força à medida que o calendário eleitoral se aproxima, colocando a proposta de Zema sob escrutínio de especialistas, organizações sociais e da própria população beneficiada.