Restrição via CPF impede novos cadastros e pode encerrar contas existentes
O Ministério da Fazenda, em parceria com o Serpro, passou a impedir que pessoas que recebem Bolsa Família ou Benefício de Prestação Continuada (BPC) acessem plataformas de apostas esportivas na internet. O bloqueio ocorre diretamente pelo número do CPF, dificultando tentativas de contornar a medida por meio de diferentes formas de pagamento.
O controle é realizado pelo Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), que reúne os CPFs dos beneficiários e exige que as casas de apostas consultem a base antes de concluir o cadastro, no login ou em verificações periódicas. Quando o CPF consta na lista, o acesso ao site é negado ou a conta é fechada.
Impactos imediatos para usuários e operadores
Novos cadastros de beneficiários são bloqueados na hora. Contas já criadas podem ser desativadas, e os valores depositados devem ser devolvidos ao titular, de acordo com as regras vigentes. Contudo, o ministro Luiz Fux suspendeu temporariamente o bloqueio automático de contas já existentes, permitindo que recursos não vinculados ao benefício sejam movimentados.
Fundamentação jurídica e discussões em andamento
A medida responde a uma determinação do Supremo Tribunal Federal, que instruiu o governo a criar mecanismos para impedir o uso de recursos sociais em jogos de azar. Embora a proibição de novos cadastros permaneça, a discussão sobre o alcance das normas ainda está em pauta no STF.
Objetivos de proteção social
Especialistas apontam que a iniciativa busca evitar que famílias em situação de vulnerabilidade comprometam sua renda com apostas, além de prevenir problemas de saúde mental e endividamento. O governo também lançou uma ferramenta de autoexclusão, permitindo que o próprio usuário solicite o bloqueio do CPF em sites de apostas por tempo determinado ou de forma permanente.
Setor em expansão e desafios regulatórios
O crescimento rápido das apostas esportivas online no país tem motivado um maior controle estatal, que tenta equilibrar a regulamentação do mercado com a proteção dos cidadãos mais vulneráveis.